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1950 - “Plano urbanístico cuidadoso” e a primeira associação de moradores para enfrentar os desafios

Nos anos de 1950, as casas rústicas dos lavradores, em sua grande a maioria, saíram de cena, substituídas pelas casas modernistas, que atendiam padrões estéticos sugeridos e seguiam restrições arquitetônicas estabelecidas pela empresa Sulacap. 


Anúncio. Fonte: Correio da Manhã, 28/10/1951, p.22.

O Jardim Sulacap foi desenvolvido pela empresa ECOR e pela Sul América. A Empresa de Construções e Obras Rodoviárias- ECOR era responsável pela construção e vendas das casas. A Sul América era dona e financiadora dos imóveis.

Jardim Sulacap, em 1951. Fonte: Diário da Noite, 11/12/1951.
Em dezembro de 1951, das 400 casas que a ECOR deveria construir 48 estavam quase prontas. A promessa era entregar 22 casas por mês. 

Fonte: Idem.
As casas eram construídas com “48 fachadas diferentes, alegres, sólidas, bem arejadas, para oferecer o máximo de conforto dentro do limite de seu preço. 

Fonte: Ibidem.
No ano de 1951,  a Cia. Sul América aguardava a assinatura do termo de doação das áreas destinadas a logradouros públicos (Diário de Notícias, 25/3/1951, p. 5).
Fonte: Diário de Notícias, 31/12/1951.
Em 1952, 400 casas são vendidas rapidamente (Cr$ 200.000,00 cada). Uma casa poderia ser comprada com uma reserva de 10% (Cr$ 20 mil cruzeiros); mais 10% na entrega das chaves; 80% restante poderiam ser financiados pela empresa Sulacap, em 15 anos, com mensalidade de Cr$ 1.719,40. 

No mesmo ano, em dezembro, foi aprovado os projetos de arborização e ajardinamento. Em 1955, a Aeronáutica adquiriu mais 200 casas.

"Plano urbanístico cuidadoso"
O que chamou atenção do Ministério da Aeronáutica para proporcionar aos oficiais e suboficiais residências próximas do local de trabalho foi o “plano urbanístico cuidadoso” com requisitos indispensáveis como água, luz, esgoto e mais condições de conforto e bem-estar (Correio da Manhã, 26/07/1955).

Jardim Sulacap em 1955: prédio do centro de bairro e casas em ruas amplas (Fonte: Correio da Manhã, 26/07/1955, p. 2). 
Magnificamente situado o "Jardim Sulacap" próximo, em relação à base área do Campo dos Afonsos, à Escola de Aeronáutica, erguidas as casas em ruas amplas e bem pavimentadas, onde foi observada um plano urbanístico cuidadoso, a que se aliam requisitos indispensáveis, como água, luz, esgoto e mais condições de conforto e bem-estar, despertou o grande conjunto a atenção do Ministério da Aeronáutica que viu ali a possibilidade de proporcionar aos oficiais e sub-oficiais residências próxima do local de suas atividades. (Correio da Manhã, 26/07/1955).


A partir do coração do bairro (Praça Mário Saraiva) a região começou agregar uma ocupação diversificada em uso, contemplando moradias horizontais, verticais, comércio, serviço, espaços comuns para lazer e harmonizado e integrado com áreas verdes. 
O coração do bairro Jardim Sulacap, anos 60. Uma nova centralidade – modelo que passou contribuir para minimizar deslocamentos, inspirando, inclusive, outras localidades e, além disso, proporcionando qualidade de vida a seus moradores e usuários.

Assim, hoje, o centro do bairro contribui para minimizar deslocamentos e proporciona qualidade de vida aos moradores e visitantes. Além da perspectiva formada pela natureza ao redor, a riqueza de praças ao alcance de uma caminhada.

Foi assim que os sulacapenses passaram logo a absorver a urbanidade sustentável como estilo de vida, conectada com as áreas verdes, menos estressante, alegre e mais gratificante e não como modismo de uma época.

No Jardim Elisa, parte entre as Ruas Augusto Malta, Joaquim Ferreira, Carlos Pontes e Alberico Diniz, uma grande quantidade de casas foi construída sob responsabilidade de Raul de Miranda
Tantas outras casas foram construídas sob responsabilidade dos próprios moradores. Como aconteceu também no loteamento Residencial Fazenda dos Afonsos (Loteamento).
Muitas casas misturavam arquitetura modernista da época e áreas verdes. Cobogós, brise-soleil, pilotis de ferro, marquises, platibanda são alguns elementos modernistas que caiu no gosto de todas as classes da época e aparecem em várias casas do Jardim Sulacap.

Podemos imaginar novos moradores chegando de diferentes lugares - uma explosão de tradições, costumes, habilidades, valores, tipos de diversões, crenças, olhares, leituras e linguagens. Uma diversidade de culturas no novo bairro.
Os primeiros moradores passaram a enfrentar vários desafios juntos, como falta de diversão, a  carência de transporte público e a falta de um bom comércio no novo bairro. 
Em 6 de julho de 1954, foi fundada a Associação Atlética Jardim Sulacap para proporcionar atividades de educação física e diversões esportivas, culturais, sociais e artísticas (Fonte: JusBrasil).


Correio da Manhã, 5/9/1956, p.2.
Na época, havia pouquíssimas lojas no centro comercial, na Praça Mário Saraiva e nos outros pontos de lojas. Longe dos grandes centros comerciais, os comerciantes exploradores vendiam suas mercadorias bem mais caras do que outros lugares do Rio de Janeiro.  





O transporte público não era lá essas coisas e a indústria automobilística bombardeava com seus anúncios. 
A linha de ônibus 75 (Bangu-Candelária) e carros de lotação em direção a Cascadura e Méier cruzavam pela Intendente Magalhães (atual Av. Marechal Fontenelle), com tarifa de 5 cruzeiros (Fonte: Diário da Noite, 11/12/1951).

A linha Mariópolis-Sulacap-Marechal-Hermes (Viação Redentor) servia o bairro. A linha Jardim Sulacap-Bonsucesso começou operar em agosto de 1958, saindo da Praça Mário Saraiva (local que não interferia no fluxo do trânsito).

Associação dos Amigos do Jardim Sulacap
Em 15/5/1958, foi fundada a Associação dos Amigos do Jardim Sulacap, tendo como primeiro presidente o advogado Jairo Mello Mendonça.
Deste modo, alguns moradores começaram a trabalhar juntos para tratar das questões de interesse comum.
No dia 25/10/1958, no seu primeiro edital, a Associação convidava os associados para uma assembleia geral ordinária, a realizar-se no dia 1/11/1958.



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