(21)99125-6012

1600 - Da Aldeia Tupi ao Lugar Sapopemba

Antes de abrigar a famosa Fazenda dos Afonsos, a região foi habitat dos índios tupis da aldeia SapopembaO primeiro nome da região estava na memória dos primeiros colonizadores e foi registrado em alguns documentos, onde apontam que o lugar era chamado de Sapopemba (nome de uma árvore de raiz forte e angulosa que se desenvolve ao redor da base do tronco).

Naquela época, para chegar à região bastava pegar o caminho indígena chamado Ita-tagoa-hy, que se transformou na Estrada Real de Santa Cruz, rota de bens coloniais e de viajantes de diversos lugares. Carros de bois, tropas de mulas, montaria a cavalo eram os veículos usados. 
Trilhas indígenas e rotas marítimas. Fonte: Ronaldo Luiz Martins. Mercadão de Madureira: Caminhos de Comércio, 2009, p.17. Disponível em: http://www.mercadaodemadureira.com/e-book-mercadao-de-madureira.pdf. Acesso em: 20/6/2011.
Hoje, na região, o antigo caminho indígena se chama Avenida Marechal Fontenelle. 

Em 1653, o senhor de engenho Manoel de Paredes da Costa e sua esposa Guiomar Rodrigues aparecem como donos das terras. Depois, o lugar (ou parte dele) foi comprado pelo senhor de engenho Luís de Paredes (1634-1702) das mãos do seu irmão Agostinho de Paredes, em 1683. Os dois eram filhos de Manoel e Guiomar.
A família Paredes era um grupo de grande prestígio social no Rio de Janeiro colonial e contava com vários mestiços entre seus membros. Luís de Paredes era solteiro, mas teve vários filhos. Leonor da Costa (ex-escrava africana de Guiné) e Luís tiveram quatro filhos: Ana, Inês, Francisco e Lucrécia. Segundo pesquisadores, todos os filhos gozaram de situações favoráveis. 
Na época, o sangue era o critério para justificar a segregação social contra os cristãos-novos. Essa comunidade conquistava um crescente poder e concorria com os cristãos-velhos no acesso aos lugares mais alto da hierarquia social. Havia preconceito contra os cristãos-novos, assim como contra os negros e índios. A acessibilidade aos lugares, às profissões, à moradia, à participação política era restringida pelo ambiente favorável ao preconceito racial, religioso, linguístico.
A família Paredes mandavam regularmente seus membros para Coimbra para se formarem. Francisco de Paredes, por exemplo, estudou em Coimbra e formou-se em padre, e foi reconhecido e aceito pelo bispo do Rio Dom José de Barros de Alarcão, em 22 de novembro de 1697. Para ordenar, o padre Francisco conseguiu com o Papa uma dispensa pelo defeito do sangue, da ilegitimidade e defeito de cor.

Nessa época, o transporte de carga, dentro ou fora das fazendas, dependiam dos escravos. As cargas (insumos, mantimentos) podiam ser transportadas à cabeça ou através de veículos de tração animal. Sem os meios de transporte de carga e de pessoas não seria possível manter as famílias na região. Como tinham condições, os Paredes deslocavam e movimentavam seus produtos e serviços com facilidade.


1700 - Do Lugar Sapopemba à Fazenda dos Afonsos: palco de pressões, conflitos sociais e de mobilização em benefício da vida
Voltar ao início





0 comentários:

Postar um comentário