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01 março, 2019

Anos 90

1990 – Um Dia do Meio Ambiente para reverenciar a vida

Éramos 9.473 sulacapenses, segundo o IBGE. A banda Legião Urbana lançou a música "Metal Contra as Nuvens" em 1991, que fala de amor, conquista, vitória e honra com críticas escondidas nas entrelinhas. Fala que quase acreditou nas promessas de uma outra pessoa. (O País vivia forte crise econômica, Collor era presidente e confiscou as poupanças dos brasileiros na época). Fala que sabe o que tem que defender e tem os seus valores.

Diante das dificuldades impostas e buscando legitimar uma tomada de posição, o narrador evoca fenômenos da natureza: “Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão”.

Do mesmo modo, um grupo de cariocas sulacapenses também sabia desde muito cedo o que queria defender: o modo de viver tranquilo com a natureza ao redor. 


No Jardim Sulacap, havia um grupo de sulacapenses que tinha consciência e era bastante interessado em manter diariamente um modo de vida conectado com a natureza sem precisar sair do bairro. Reconhecia e valorizava a natureza do entorno, a diversidade das formas de vida e a identidade local por meio da consciência socioambiental.
Assim, colaborava para o fortalecimento dos morros enquanto espaços de vivência e convivência, pois fortalecia o que podemos chamar de nosso - a nossa identidade urbana, rural e paisagística de um território concebido como bairro-jardim.

Em 1991, a Declaração Internacional dos Direitos à Memória da Terra surgiu como marco na mobilização para divulgação e proteção do geopatrimônio. 
Em 1992, a Eco-92 (Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento) discutiu sobre o modelo de desenvolvimento e suas implicações nos problemas ambientais.

Em 5 de junho de 1993, música, aula de história, aula de geografia, caminhada, humor e reflexão fizeram parte do festejo do Dia Mundial do Meio Ambiente. Os moradores saíram de suas casas e caminharam até ao Morro no Vale do Carioca e aproveitaram também para reivindicar a integração dos Morros Carioca, Engenho Velho, Cachambi, Valqueire e Caixa D’ Água à reserva ecológica do Parque da Pedra Branca.
O ponto de partida foi na Praça Mário Saraiva. Foi um movimento cultural importante porque projetou valores de paz, amizade, alegria por onde passou.
Adultos e crianças cobriram as trilhas de alegria e de mochilas coloridas num clima de “amizade e entusiasmo”.

Rua Mota Maia, grupo entusiasmado indo em direção ao morro. 

O movimento era mais uma festa do que uma marcha de protesto. 

O morro como espaço de aula ao ar livre.

Valia mais o estilo de vida viável para manter a natureza viva, indo além do estilo baseado na reverência ao crescimento de uma economia que mata. Para uma vivência de Bem-Viver, defendíamos a floresta em pé, a mata viva, os bichos da mata e, assim, a nossa própria cultura viva.

Movimento foi destaque no Jornal O Globo Zona Oeste – 5/6/1993.


De "Pacato Cidadão", como diz a música de 1994 do Skank se referindo ao cidadão conformado, esse grupo de sulacapenses não tinha nada. Não se conformou diante das crises e defendeu o Nós. A solidariedade, que é parteira da participação, deu luz a força aglutinadora do grupo.
A partir do diálogo com a diversidade, usando racionalidade para o Bem-Viver e sem deixar ser massa de manobra, sulacapenses solidários participaram da solução de problemas reais e agiram em prol de um Jardim Sulacap pleno, que cultiva a cultura de paz, amizade e respeito.



Referência 
MOURA, Germana Costa. Na trilha pela preservação da natureza. Jornal O Globo, caderno Zona Oeste. Rio de Janeiro, 13/6/1993, p. 1, 12 e 13. 

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