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20 maio, 2016

Anos 80

Anos 80 - Transição para a democracia e o movimento em defesa do jeito de viver conectado com a natureza ao redor.

Acervo Amisul.
Éramos 9.561 sulacapenses nos anos 80. O Brasil estava com graves problemas econômicos e por isso os anos 80 foi chamado de década perdida.
Em 1981, aconteceu a transição do loteamento residencial para bairro oficial Jardim Sulacap, reconhecido pela Prefeitura, com o Decreto n° 3.158/1981.
Em 1984, o movimento Diretas Já pedia a volta das eleições diretas para presidente do Brasil.
Não podemos dizer que a década de 80 foi totalmente perdida, pois no ano de 1985 tivemos o fim da ditadura, ganhamos a democracia, embora continuássemos com velhos representantes da política anterior.
A AMISUL foi fundada em 1985.
Os anos 80, segundo especialistas, foram um período em que planejar o futuro ficou para depois. O País sofria com o improviso compulsivo e nada de ninguém dar o planejamento como remédio. O despreparo que o governo tinha para a sociedade era visível. Parecia que era só improvisar e tudo em um passo de mágica ficaria tudo perfeito.
Foi nesse período que o movimento conservacionista formado por moradores, organizado pelo diretor de meio ambiente da Associação de Moradores Jardim Sulacap (AMISUL) – Lúcio Lemos - deixa claro a relação de cuidado com a bio e geo-diversidade da região.

Campo da Praça H, década de 1980. Fonte: acervo da Amisul.

Com muita alegria, amizade, batucada e faixas, o clima era de festa comunitária. Adolescentes, jovens e adultos eram voluntários no movimento. O ponto de concentração foi na Praça H.




O grupo movimentou ruas, praças e morros em defesa do costume de viver  sustentável e em harmonia com os animais silvestres, árvores, paisagens dos morros ao redor, bem como com o ambiente calmo, sereno e tranquilo.


Quadra da Praça Hdécada de 80. Fonte: acervo da Amisul.

O movimento desejava um modelo de uso sustentável dos recursos naturais.
Mais do que as forças naturais, as pedreiras Italva e Belmonte representavam o principal fator de mudança na paisagem do Jardim Sulacap, que afetavam a qualidade de vida e o bem-estar da comunidade.

Jornal do Brasil, 24/11/1987.

Moradores inconformados
Quando descobriram que a exploração de pedras pela empresa Italva iria avançar para outro morro, os moradores não se calaram e foram às ruas de forma organizada.
O local de exploração era entre a Av. Carlos Pontes e o trecho do Catonho, no Vale da Carioca.

"O verde também é bem-estar, é benefício". O modelo de exploração de pedreiras foi questionado.
Não se pode argumentar que uma atividade como a exploração de pedreiras represente lucro, emprego, sem levar em conta os danos ambientais que acarretam. O verde também é bem-estar, é benefício – alegou Lúcio, lembrando que “moradores do bairro não só se acostumaram a admirar os morros das cercanias, como excursionam por eles, admirando plantas e aves” (Jornal do Brasil, 24/11/87).

Natureza é fator de qualidade e de modo de vida
A Heloísa Massad, presidente da AMISUL, disse na época que a exploração de pedras feita pela Belmonte já causava "transtornos e descaracterizava a paisagem da região".
Ela disse também que boa parte da comunidade estava consciente do significado da natureza como fator de manutenção da qualidade de vida (Idem).

Referências
http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2759:catid=28&Itemid=23

http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/artigos_frames/artigo_067.html

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