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12 abril, 2017

História da Mata Atlântica

História da floresta Atlântica sob a gestão dos afonsenses de 1800


No ano de 1823, conforme relato de Maria Graham, a maior parte da floresta primária da região estava preservada: 
"Só uma pequena porção da fazenda, porém, é realmente cultivada. O resto está ainda coberto com a floresta primitiva".
A gestão da Fazenda dos Afonsos harmonizava plantio de cana-de-açúcar, criação de gados, a subsistência, a produção de açúcar com preservação da floresta, sem comprometer esse um dos ecossistemas mais ameaçado do planeta atualmente. Os moradores da época usavam os recursos naturais de modo sustentável e racional, preservando, conservando e reciclando.

09 março, 2017

Microclima

Microclima do bairro

O sol e céu alaranjados, nuvens cinzentas e o Morro da Pedreira, paisagem vista do alto do Cachambi, em 2016 ( Foto: Marcos Veiga).
Fazendo parte do bioma Mata Atlântica, o Jardim Sulacap tem clima tropical atlântico, tendo ao seu redor as serras do Engenho Velho e Valqueire, com os Morros Caixa D'Água (318 metros), Valqueire (311 m), Cachambi (268 m) e Pedreira (259 m). 
A média de chuvas anuais dos últimos 30 anos é de 645 mm por ano. Os ventos norte fracos e secos são predominantes e tem céu parcialmente nublado durante a maior parte do ano.

Clima do campo aliado ao conforto da cidade
Vista do alto do Cachambi, 2016 ( M. Veiga).
O clima agradável sempre foi elemento de orgulho para os sulacapenses. Os mais antigos contam que os médicos recomendavam o bairro como parte do tratamento de saúde, porque o lugar guardava clima de cidade de interior.
Porém, hoje, o bairro está sendo incentivado a crescer e o equilíbrio entre desenvolvimento urbano, crescimento econômico e combate à mudança climática é desafio para os sulacapenses.

Os limites
O Diagrama de Conforto Humano, desenvolvido pela Organização Mundial de Meteorologia (OMM), considera como termicamente confortável para o ser humano os valores de umidade variando entre 30% e 80%, dentro da faixa de 8°C e 33°C. 
Diagrama de conforto humano. Fonte: Qualidade Online’s
Sendo que entre 8-20 °C é preciso ambiente ensolarado e entre 26-33 °C é preciso vento para obter sensação térmica confortável no inverno e no verão.

Cobertura arbórea
O Jardim Sulacap se destaca pelos seus espaços verdes (como as praças e cinturão verde formado pelos morros), o que contribui para regular a temperatura, com menos retenção de calor, evidenciando a diferença entre outros bairros da cidade.

Mapa mostra cobertura de 66%. Fonte: Floresta Urbana.

Temperaturas e precipitações
O gráfico mostra médias climatológicas, que são valores calculados a partir de um série de dados de 30 anos observados do Jardim Sulacap.

Diagrama temperaturas e das precipitações do Jardim Sulacap. Fonte: Meteoblue.
A temperatura máxima diária média do bairro (linha vermelha contínua) varia entre 25 °C a 32 °C. A temperatura mínima (linha azul), entre 17 °C  e 23 °C. 
Os meses invernísticos junho, julho e agosto são os mais secos. Janeiro, com 87 mm, e dezembro, com 85 mm, são os meses mais chuvosos. A diferença entre a precipitação do mês mais chuvoso e o mais seco é de 64 milímetros. Os dias mais quentes dos últimos 30 anos variaram entre 31 a 37 °C. As noites mais frias variaram entre 13 °C a 21 °C.

Céu
Segundo dados das condições do céu, o Jardim Sulacap tem predomínio de céu parcialmente nublado durante a maior parte do ano.

Diagrama céu. Fonte: Meteoblue.
O número mensal de 154,9 dias de céu parcialmente nublado supera os 112,9 dias de céu ensolarado, com diferença de 42 dias.

Radiação solar
A radiação solar do bairro pode ser bem aproveitada. Os telhados do bairro têm, segundo estudo de mapeamento, potencial "muito bom" para fornecer energia solar (Mapa Solar do Rio de Janeiro).

Fonte: Prefeitura. Mapa Solar do Rio de Janeiro.



Temperaturas máximas
O diagrama da temperatura máxima para Jardim Sulacap mostra quantos dias por mês atingem determinadas temperaturas.
Diagrama de temperatura máxima do Jardim Sulacap. Fonte: Meteoblue.
Os meses de janeiro, fevereiro e março são os que têm maior quantidade de dias mais quentes. Do total, 14,5 dias do mês de janeiro ultrapassaram a temperatura de 30 °C; fevereiro, 15,3 dias; e março, 13,6 dias.  Os meses de julho e agosto são os dois meses que apresentaram maior quantidade de dias mais frios.


Ilhas de calor
Ilha de calor. Mapa de temperatura, agosto de 2016. Fonte: Prefeitura.


Um ponto de ilha de calor (um oásis inverso) fica próximo ao Carrefour.  
Ilha de calor. Mapa de temperatura, janeiro de 2015. Fonte: Prefeitura.

Precipitação
O diagrama da precipitação para Jardim Sulacap mostra em quantos dias por mês, determinadas quantidades de precipitação são atingidas.
Diagrama quantidade de precipitação. Fonte: Meteoblue.
Revela que no bairro os dias secos são predominantes durante a maior parte do ano e os meses invernísticos junho, julho e agosto se destacam. Na região, os meses de maior precipitação (chuva) são os meses de novembro a março.

Velocidade do vento
O diagrama para Jardim Sulacap mostra quantos dias dentro de um mês podem ser esperados para atingir determinadas velocidades do vento.
Diagrama velocidade do vento. Fonte: Meteoblue.
Brisas leves (entre 6 a 11 Km/h) e brisas fracas (12 a 19 Km/h) passa com mais frequência no Jardim Sulacap. O predomínio é de brisas leves de janeiro a julho. Nos meses de setembro, outubro e novembro, podemos esperar mais brisas fracas do que leves e moderadas.

Direção e intensidade do vento
A Rosa dos Ventos para Jardim Sulacap mostra quantas horas por ano o vento sopra na direção indicada e a que velocidade.
Diagrama do comportamento dos ventos. Fonte: Meteoblue.
O vento de 6 a 11 Km/h sopra predominantemente na direção norte, com 974 horas por ano. O vento sopra na direção nor-noroeste (NNO ou NNW) 630 horas/ano a uma velocidade de de 6 a 11 Km/h. Na direção sul, a brisa leve sopra 362 horas/ano. Já o vento sudoeste sopra 293 h/ano e a brisa sul, 362 horas por ano.



Ciclo das águas
O comportamento das águas dos rios, arroios, córregos realiza grande influência no clima. Os rios, por menor que sejam, são importantes na distribuição de calor, além de absorverem carbono.
Hidrografia do Jardim Sulacap. Fonte: Fernando Patrício/Floresta Urbana.

Mudançãs climáticas  
As mudanças do clima são as alterações climáticas de todo o planeta, é uma realidade e as evidências fazem parte do nosso dia-a-dia, com ameaças à infraestrutura e risco em relação à disponibilidade de alimentos. Os impactos já estão acontecendo.  

O elemento humano na mudança do clima
O clima pode ser qualificado ou modificado em consequência das ações, práticas e atividades humanas. 
Triste é diante de nossos olhos observar ações e omissões humanas que contribuem para intensificar ou agravar o clima do Jardim Sulacap, contribuindo para deixar áreas mais vulneráveis e frágeis.

Queimadas, desmatamento e lixo

Quando acontece um incêndio florestal, lixo é descartado a céu aberto e uma área é desmatada, esse carbono é liberado para a atmosfera, contribuindo para o efeito estufa e o aquecimento.

Exploração de minérios
Fonte: G1.
Além da degradação da paisagem, a mineração causa remoção da floresta, reduz o poder do lugar de capturar carbono e, com isso, muda o clima.

Infraestrutura urbana e transporte
Grande concentração de concreto, asfalto, gases de efeito estufa, ventos fracos, supressão de vegetação causa ilha de calor. Os veículos são responsáveis por 21% do total das emissões na cidade. 
Fonte: autor.

A Cidade do Rio de Janeiro será a mais afetada por mudanças do clima na América Latina, segundo especialistas. Jardim Sulacap não está imune, envolto numa redoma invisível
Fonte: SOS Sulacap.
Segundo especialistas da Rede de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Urbanas, a temperatura média da cidade do Rio de Janeiro subirá 1 °C até 2020 (O DIA,14/10/15). De fato, o Jardim Sulacap não está imune, envolto numa redoma invisível. 

Que impactos podemos esperar?
A mudança climática agrava os vários desafios que já enfrentamos. Ou seja, se já alagava, vai alagar mais anida e gerar estragos na vida de muitos sulacapenses.
Fonte: SOS Sulacap.

Mudanças climáticas e a saúde
Os efeitos adversos da mudança climática vão afetar diretamente a saúde dos moradores. Os mais vulneráveis aos efeitos climáticos são os idosos, as crianças, cardíacos e quem tem problemas respiratórios, porque têm menos capacidade de adaptação e defesa. Em 2010, o grupo de idosos e crianças era 27,62% da população de 13.062 sulacapenses.
O principal perigo é a disseminação de doenças respiratórias, cardiovasculares, gastrointestinais e outras infecciosas como dengue e leptospirose. A conclusão é do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), que está à frente do primeiro núcleo latino-americano da rede internacional, junto com a Coppe da UFRJ.
Os meses de seca (junho a agosto) aumentarão o risco de incêndios florestais e, com isso, afetará sobretudo as pessoas mais sensíveis. Em 2013, a qualidade do ar em relação às partículas suspensas no ar (fuligem, poeira) foi regular no Jardim Sulacap. Condição do ar regular significa que crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias e cardíacas podem ser as mais afetadas.


Mudanças climáticas e os ecossistemas
Os incêndios e os desflorestamento, bem como a ampliação dos dias de seca podem agravar ainda mais as condições ambientais das áreas com alta sensibilidade a riscos geológicos no bairro.
Áreas de risco de deslizamentos. Fonte: Portal Geo Rio.
A mudança climática pode contribuir para fuga de animais do Parque da Pedra Branca em busca de água e áreas habitáveis – o que acaba afetando as pessoas.

Mudanças climáticas e a infraestrutura urbana
As mudanças climáticas (chuvas fortes e secas duradouras) impactará a nossa precária infraestrutura de drenagem das águas da chuva.

Fonte: SOS Sulacap.
Mudanças climáticas e a economia
A mudança do clima afetará a economia. Com os dias quentes, gastaremos mais recursos (energia, água) para se refrescar, aumentando o custo de vida. Além dos gastos com móveis, eletrodomésticos e remédios, inundações desvalorizam os imóveis e a dificuldade de vendê-los aumenta. 
Mudanças climáticas e a disponibilidade de alimentos
As alterações do clima ameaça o abastecimento de alimentos, pois os alimentos vindos de fora do bairro ficam mais caros quando afetados por tempestades, inundações, mudanças dos padrões sazonais, entre outros eventos que resultam em escassez e aumento de preços. Com isso, os mais pobres (5,67% dos sulacapenses, cf. IBGE de 2010) serão os mais afetados, porque grande parte da renda é para compra de alimentos.


Diante de uma ameaça real à saúde, ao bem-estar e o modo de vida da população, a melhor opção é prevenir.
Todos serão atingidos pelas mudanças do clima, querendo ou não, ainda que esperneando e gritando. Por isso, o esforço de todos Nós para combater os efeitos negativos das mudanças do clima deve ser prioridade.

Respostas às mudanças do microclima
Todos nós somos responsáveis pelo microclima. Há diversas ações que podemos fazer para combater os efeitos da mudança do clima sobre nossas cabeças e sobre os sistemas naturais. 
Os sulacapenses terão que ir além do protetor solar como solução dos efeitos do clima. É preciso que todos façam parte da solução comunitária para evitar o aumento da temperatura.
  • Os sulacapenses podem colaborar, deixando de por a culpa só no governo, nos políticos presos na operação Lava Jato, ou na associação de moradores AMISUL - identificar as causas (naturais ou humanas) do problema climático e buscar soluções em conjunto sem perder tempo, garantindo integração e coerência entre as estratégias, protegendo pessoas e ecossistemas mais vulneráveis;
  • Recuperar urgentemente as nascentes;
  • Reflorestar as calçadas e os morros com plantas nativas adequadas, obedecendo a legislação; 
  • Reaproveitar resíduos de podas (folhas, galhos, cascas, serrapilha) para as ações de plantio. A conservação do solo é uma resposta para mudança do microclima; 
  • Realizar e/ou apoiar campanhas informativas, de sensibilização e conscientização de governo, empresas e população para que adotem práticas e políticas de baixo carbono no bairro;
  • Transmitir conhecimento e experiência que permitam as pessoas agirem de forma racional face ao clima;
  • Fiscalização contínua para verificar o uso adequado das terras e identificar desobediência à legislação;
  • Reformar a ciclovia da Av. Alberico Diniz e incentivar o uso da bicicleta.


Agricultura urbana sustentável é aliada na redução de problemas climáticos
Ao recuperar e promover o uso dos ecossistemas (solo, biodiversidade, clima, floresta, paisagem) de terrenos vazios, a agricultura urbana sustentável é uma das respostas para efeitos das mudanças climáticas, capaz de atender a uma demanda prioritária dos sulacapenses e da população mundial por serviços ecossistêmicos, incluindo os mais vulneráveis. 
Consta no plano diretor (artigos 165 e 176 da Lei nº 111/11). Além de alternativa para usar áreas vazias ou subutilizadas, a agricultura local ajuda reduzir a vulnerabilidade às perturbações climáticas e de abastecimento de alimentos.

Ação da JSBS contra a mudança do clima
Entre outras ações:
  • Realizamos campanhas de esclarecimento, sensibilização e conscientização sobre a questão da mudança climática;
  • Pesquisa, produz e divulga às pessoas conhecimentos que lhes permitam agir de forma racional frente aos riscos ambientais e de saúde associados às mudanças climáticas;
  • Desenvolve respostas para tentar reduzir às alterações climáticas com foco nas pessoas e nos ecossistemas mais vulneráveis;
  • Defende e promove a agricultura sustentável e o uso de resíduos florestais como solução de baixo carbono para combater os efeitos das mudanças climáticas, buscando garantir ao mesmo tempo a conservação da floresta, a segurança climática e alimentar no bairro;
Sacos com folhas coletadas dos quintais para cobrir solo, 2019.
    • Solicita e apoia o plantio massivo de árvores como grande aliada;
    Reflorestamento Buriti Alegre, 2019.
    • Estimula a integração da gestão comunitária, governo municipal, moradores, instituição de ensino, empresas e ongs, em planos, projetos, programas e ações relacionadas à mudança do clima;
    • Incentiva o uso de bicicleta como meio de transporte saudável e capaz de ajudar a reduzir as emissões de carbono. 


    Referências
    BRASIL. Lei nº 12.187, de 29 de dezembro de 2009. Institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC e dá outras providências.



    BRASIL. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Plano Nacional de Adaptação à mudança climática. Volume I: estratégia geral. Grupo Executivo do Comitê Interministerial de Mudança do Clima – GEx-CIM Ministério do Meio Ambiente. Brasília, 2015. Disponível em:http://hotsite.mma.gov.br/consultapublicapna/wp-content/uploads/sites/15/2015/08/PNA-Volume-1-05.10.15-Vers%C3%A3o-consulta-p%C3%BAblica.pdf





    INMET – Instituto Nacional de Meteorologia. Climatologia. Disponível em:  http://www.inmet.gov.br/html/clima.php
    Meteoblue. Clima Jardim Sulacap.
    Disponível em: https://www.meteoblue.com/pt/tempo/previsao/climatecomparison/jardim-sulacap_brasil_3474715
    NERY, Jonas Teixeira e SOUZA, Débora Moreira de. O Conforto térmico na perspectiva da Climatologia Geográfica.
    O DIA. Rio será a cidade mais afetada por mudanças climáticas na América do Sul. Disponível em: http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-10-14/rio-sera-a-cidade-mais-afetada-por-mudancas-climaticas-na-america-do-sul.html

    RIO DE JANEIRO (Cidade). Mapa de temperatura. Disponível em: http://pcrj.maps.arcgis.com/apps/MapJournal/index.html?appid=5d9b36b0c4054369b39eb7bf6c2159d7
    RIO DE JANEIRO (Cidade). Lei n.º 5.248 de 27 de janeiro de 2011. Institui a Política Municipal sobre Mudança do Clima e Desenvolvimento Sustentável, dispõe sobre o estabelecimento de metas de redução de emissões antrópicas de gases de efeito estufa para o Município do Rio de Janeiro.
    RIO DE JANEIRO (Cidade). Lei complementar nº 111, de 1 de fevereiro de 2011. Dispõem sobre a política urbana e ambiental do Município, institui o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Sustentável do Município do Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/139339/DLFE-229591.pdf/LeiComplementar1112011PlanoDiretor.pdf
    RIO DE JANEIRO (Cidade). Defesa Civil. Rio de Janeiro em busca da resiliência frente chuvas fortes. Disponível em: http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4402327/4109121/RIODEJANEIRORESILIENTE_2013.pdf

    RUAF (Resource Centre on Urban Agriculture & Forostry) – Centro de Recursos para a Agricultura e Silvicultura Urbanas. A agricultura urbana como estratégia de redução de riscos e desastres diante das mudanças climáticas. Revista de Agricultura Urbana, nº 27, março de 2014. Disponível em: http://www.ruaf.org/sites/default/files/rau27.pdf.

    Não esperamos que simplesmente tenham gostado deste trabalho, ESPERAMOS QUE AJAM!

    Por um clima mais agradável para todos.

    22 fevereiro, 2017

    Drenagem urbana e manejo sustentável das águas

    Objetivo é proporcionar condições adequadas de salubridade ambiental aos moradores, com soluções de drenagem mais ecológicas e compatíveis com as características socioculturais do bairro, minimizando impactos das águas da chuva, inclusive econômicos.


    A drenagem urbana e manejo sustentável das águas pluviais é o conjunto de atividades, infraestrutura e instalações operacionais de drenagem urbana de águas das chuvas, de transporte, detenção ou retenção para amortecer vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas drenadas nas áreas urbanas.

    Em pleno século 21, ainda erramos “inocentemente” em achar que a única solução para o problema de drenagem é abrir buracos no asfalto, colocar mais bocas de lobos para que as águas das chuvas desçam o mais rápido possível. 
    (...) Pedimos a Prefeitura, Secretário de Obras ou a quem de responsabilidade que faça limpeza total da galeria, um sistema de captação na esquina da rua Vicente Neiva com a ciclovia e uma alternativa para as águas escoarem com mais rapidez para acabar com os alagamentos (SOS Sulacap, 2014). 
    Pensar nesse tipo de sistema de drenagem urbana é comum. Por isso é chamado de sistema de drenagem urbana clássico.

    Sem controle das inundações na fonte, um sistema de drenagem urbana clássico tem como prioridade tirar as águas da chuva das ruas o mais rápido possível para garantir a circulação das pessoas.
    Este cenário, baseado na simples e rápida retirada da água das áreas pavimentadas com alto grau de impermeabilização por meio de canalizações, apresenta-se insustentável e exige uma nova visão sobre o problema das inundações urbanas (REZENDE, 2010:32). 
    A consequência imediata dos projetos baseados neste conceito é o aumento das inundações a jusante devido à canalização (TUCCI, 2003).  
    Diante de nossos olhos, vemos o aumento da frequência e a magnitude das inundações e alagamentos surgindo em diversos pontos. Pagamos o alto preço com o sistema de drenagem convencional. No meio das águas, muitos dos nossos sonhos, uns boiando outros afundando.

    Integrar e harmonizar o serviço de drenagem urbana com outros serviços
    É preciso pensar um sistema de drenagem sustentável, que tem como objetivo imitar o ciclo hidrológico natural para reduzir o problema de drenagem no Jardim Sulacap. 
    Então, será preciso integrar o serviço de água, drenagem, riscos ambientais, esgoto e resíduos sólidos, entre outros em uma gestão, propiciando à população o acesso a um serviço adequado.
    De fato, as medidas de enfrentamento dependem de ações em diferentes estratégias (setoriais e temáticas). Assim, temos que promover ações cooperativas e coordenadas entre a diversidade de moradores, governo, empresas, buscando integração e coerência entre as estratégias voltadas à redução dos impactos da drenagem e ao desenvolvimento da resiliência.

    Pense e mude! Considere o controle de drenagem na fonte, o controle de volume das águas da chuva e reduza os impactos da chuva sobre o sistema de drenagem (Plano Diretor, art. 226 da LC nº 111/11).


    Fatores que caracteriza e muda o comportamento da drenagem
    Além das causas naturais, as causas humanas. O crescimento populacional, morros carecas, incêndios florestais, mudança climática que altera o regime de chuva, a geografia do local, calçadas cimentadas, obstáculos no curso das águas, obstrução de bueiros, rios degradados (receptores cheios de sedimento e lixo), erros de engenharia, entre outros elementos influenciam no comportamento da drenagem.


    Crescimento
    Inundações é resultado de muitos fatores, mas principalmente pelo crescimento sem planejamento ambiental e urbano. Jardim Sulacap está sendo estimulado a crescer. Na década de 1990 a 2000 cresceu 14,81% e na década de 2000 a 2010 cresceu 16,40% (cf. IBGE). 
    Consequentemente, muitas casas perderam seus quintais (salve as casas da Aeronáutica) e deram lugar a prédios, aumento de áreas impermeáveis. O consumo de água também aumenta e culmina no aumento de escoamento de água. 
    A canalização e retificação do Rio dos Afonsos também mudou, aumentando os problemasÉ preciso crescer, mas sem esquecer das questões ambientais e urbanas.

    Hidrografia
    Alteração da superfície do solo (erosão, canalização do escoamento, resíduos sólidos depositados no solo pelas pessoas, entre outras coisas, afeta o ciclo da água. Nos casos em que a precipitação é maior do que a capacidade de absorção do solo, a água escoa sobre a superfície.
    Hidrografia. Bacias onde nascem o Arroio dos Afonsos, Rio Japoré (Valqueire ou Tingui) e o Córrego do Catonho. Fonte: Fernando Patrício, Floresta Urbana.

    Cobertura arbórea - Morros com pouca floresta
    Morro Cachambi. Fonte: Cidade Olímpica.
    Além de promover inundações e alagamentos, a falta e/ou a redução de árvores prejudica a temperatura e o microclima local. 
    As árvores regulam a temperatura, pois quando o clima muda bruscamente, elas minimizam essa mudança. Com isso, reduz a possibilidade de chuva intensa. As árvores ajudam a minimizar as enxurradas porque faz com que as águas da chuva escorram mais devagar. Elas também ajudam a segurar a terra dos morros e, como isso, evita entupir o sistema de drenagem.


    Clima
    Os dados indicam que o Jardim Sulacap apresenta precipitações média anual de 645 mm, sendo os meses de junho, julho e agosto os mais secos. Os meses que mais chove são janeiro, novembro e dezembro, média de 87mm, 80mm e 85mm, respectivamente.
    Alterações climáticas local são aguardados tempos de secas castigantes e outros de chuvas mais intensas. 

    Lixo
    Lixo no Rio Japoré (Valqueire ou Tinguí), que é todo canalizado. Fonte: SOS Jardim Sulacap, 18/8/2014.
    Lixo jogado nas ruas e praças deixa o meio ambiente feio, depois arrastado pelas águas da chuva compromete o sistema de drenagem, vai para dentro do rio.

    Ocupação do território
    O Jardim Sulacap começou se urbanizar nos anos de 1940. Desde então, as áreas alagadas do bairro, foram sendo sistematicamente eliminadas através de aterramento. Na Estrada Japoré e Avenida Alberico Diniz, por exemplo, tinha áreas alagadas até anos de 1970.
    Deste modo, a expansão urbana deu-se sobre o aterramento dos brejos, áreas alagadiças, com a abertura de valas de drenagem e o desmonte de abas dos morros. 

    Obstrução maior – no caminho das águas um tubo

    Olha o tubão cruzando o Rio. Fonte: SOS Sulacap.
    Inundação ocorre quando as águas dos rios, riachos, galerias pluviais saem do leito de escoamento devido à falta de capacidade de vazão. 
    Os sedimentos atrapalham o escoamento, mas o tubo atrapalha bastante, reduz a capacidade de escoamento e acentua as inundações. Erro de engenharia!

    Que impactos podemos esperar?
    Rua Vicente Neiva. Fonte: SOS Sulacap.
    Os impactos das águas da chuva são bem conhecidos por muitos sulacapenses, principalmente pelos moradores das Ruas Capistrano, Vicente Neiva, Alberico Diniz, Japoré,  José Sardinha e Carlos Pontes.

    Inundações e alagamentos instantâneos; redução da qualidade de vida; redução do valor dos imóveis; perda de bens móveis (sofá, armários, eletros, entre outros); transtorno para a logística urbana (carros, coletivos, caminhões parados e panes nos sinais); ruas danificadas; entre outros impactos que podemos esperar em dias de chuva forte.
    “Basta 50 minutos de chuva forte”(...) "Estamos constantemente sendo surpreendido com alagamento causando transtorno, perda material, física e emocional, tivemos famílias que perderam tudo inclusive seus animais de estimação.” (Fonte: SOS Sulacap).
    Pça. Mário Saraiva. Fonte: Renata/Almeida/ Whatsapp Sulacap News, 16/01/17 às 20:34.
    Com as alterações climáticas local são aguardados tempos de secas castigantes e outros de chuvas mais intensas. Inundações e alagamentos tendem a ser mais frequentes e sérios no bairro.
    Rua Euzébio de Almeida (antiga continuação da Estrada do Catonho), em frente à casa de festas Coliseum. Fonte: Vinícius Branco/ Whatsapp Sulacap é Nossa, dia 16/01/17, às 20:46.
    Diante da foto a cima, que vale mais do que mil palavras, um comentário pertinente:
    "Foi feita uma obra na frente do Coliseum p evitar esses alagamentos... Parece q de nada adiantou" (Manoela Seixas/Whatsapp Sulacap é Nossa, dia 16/01/17).

    Respostas aos impactos da drenagem urbana
    Reduzir e prevenir alagamentos e inundações passa também por gestos pessoais de cada um. Todos somos responsáveis pelo manejo das águas da chuva. 
    Atenção! Não espere que uma grande obra de drenagem seja a única resposta para o problema. Afinal, das casas também saem água da chuva.
    Todos serão atingidos pela falta de manejo integrado das águas pluviais, querendo ou não, ainda que esperneando e gritando. 

    O que podemos fazer?
    Há diversas ações (estruturais e não estruturais) que podemos fazer. Consequentemente, não espere que o governo seja a única esperança, ou que apareça um salvador comunitário para deixar tudo por conta dele. 
    Os sulacapenses terão que ir além de usar guarda-chuva e galochas. 
    • Ser parte da solução é o começo. Os sulacapenses podem colaborar, deixando de por a culpa só no governo, nos políticos presos na operação Lava Jato, ou na associação de moradores AMISUL. É preciso não perder tempo reclamando, mas buscar soluções e parcerias para resolver o problema  – laboratório de soluções;
    • Apoiar e planejar o crescimento da população e a fiscalização contínua para verificar o uso adequado das terras e identificar desobediência à legislação. A Fundação Rio-Águas é o órgão técnico de referência no manejo de águas pluviais responsável por planejar, gerenciar e supervisionar ações preventivas e corretivas contra enchentes;
    • Apoiar e implantar o Plano Diretor de Manejo de Águas Pluviais da Cidade do Rio de Janeiro;
    • Atualizar sistema de drenagem urbana;
    • Promover pavimentos permeáveis. Nem sempre o asfalto tradicional é a melhor opção;
    • Calçadas ecológicas, com faixa livre permeável para plantio;
    • Reflorestar e recuperar morros ao redor com espécies nativas adequadas, priorizando as áreas ao longo das linhas naturais de drenagem. Ampliar a agrofloresta ajuda;
    • As hortas comunitárias e familiares podem aliviar o sistema de drenagem. Em algum lugar do quintal cimentado pode surgir uma bela horta;
    • Construção de caixas secas, que são reservatórios para captar água, controle de enxurrada e retenção de sedimentos;
    • Sistema de captura e armazenagem de água da chuva nas casas é alternativa para evitar sobrecarga no sistema de drenagem e reduzir níveis de inundações, além de garantir mais segurança no abastecimento e economia na conta de água; e
    • Realizar e/ou apoiar campanhas (informativas, de sensibilização e conscientização), transmitir conhecimento que permitam as pessoas agir de forma racional face à precária drenagem urbana.
    As medidas apresentadas são apenas algumas das diversas estratégias necessárias para prevenir e combater o problema de drenagem no bairro. Elas estão previstas no plano diretor, o que dá base legal para aplicação. 
    Claro que o clássico descarte de lixo nas ruas deve ser eliminado, bem como os bueiros devem ser desentupidos e rios dragados, como medidas paliativas, de curto prazo, para mitigar o assoreamento. 

    Agrofloresta e horta são aliadas
    São medidas não convencionais para responder o problema de drenagem das águas pluviais, indo ao encontro do desenvolvimento sustentável (art. 226, XIII e XIV da LC nº111/11). 
    Além de gerar alimentos saudáveis e saborosos, a agricultura sustentável pode ajudar a diminuir o crescimento de áreas impermeáveis, aumentar a infiltração da água da chuva no solo e retardar o escoamento e, assim, diminuir a quantidade de água nas galerias e rios durante as chuvas mais fortes.
    Outro benefício é a possibilidade dos espaços produtivos servirem como ferramenta para que mais e mais pessoas encontrem juntas de forma pacífica e respeitosa soluções para os problemas comunitários, rumo a um futuro melhor.

    Caixa seca
    O reservatório que coleta água da chuva é um modo de amenizar os efeitos da falta e do excesso de chuva.
    Fonte: Sítio Colírio.
    Além de retardar o escoamento da água da chuva e impedir que sedimentos sejam arrastados para os Rios Tingui e dos Afonsos, a tecnologia de caixa seca pode ajudar a captar água para abastecer o lençol freático, favorecer as nascentes, o plantio nos morros, manter a biodiversidades e evitar erosão, assoreamento e depredação das ruas.
    Atenção! A cidade do Rio é abastecido em 91% pelas águas do Guandu. O Jardim Sulacap é extremamente dependente desta única fonte. Várias vezes vivemos situação de emergência por causa da seca. Precisamos urgentemente produzir água

    Aproveitamento de águas da chuva pelo telhado
    Trata-se de um sistema de coleta e armazenagem da água da chuva, possibilitando o reuso da água ou um descarte lento, após a chuva. 


    A tecnologia mini cisterna é simples, de baixo custo, mas alivia o problema de seca ou de excesso de chuva ao captar e armazenar água da chuva. 
    Há projetos mais elaborados, com bomba que leva a água da cisterna para uma caixa especial conectada a tubulações do vaso sanitário, da máquina de lavar e do quintal.
    A água da chuva não serve para consumo humano, mas serve para lavar carro, quintal, calçada, vaso sanitário, regar plantas, entre outros usos. Isso ajuda retardar o escoamento das águas para a rede de drenagem e com isso, reduz níveis de inundações, além de garantir mais segurança no abastecimento e economia na conta de água. 
    Clique aqui para saber o quanto você pode economizar com as águas da chuva coletada pelo seu telhado. 
    Em 01/01/2017, saiu o Decreto nº 42.776, que estipula o prazo de 120 dias para que as secretarias municipais de Meio Ambiente e de Fazenda apresentes plano para instituir o IPTU Verde.
    Assim, os sulacapenses que possuírem um adequado sistema de captação de água da chuva poderão receber um desconto no IPTU Verde.

    Calçada ecológica
    Calçada ecológica, com faixa livre permeável para plantio (50 cm largura x 1,00 m de profundidade numa vala tipo caixão, com brita, terra e manta Bidim) traz o benefício de reter parte das águas da chuva, diminuindo o escorrimento superficial, ajuda na drenagem natural do solo e alimenta o lençol freático, além de embelezar a rua. 
    Fonte: Adaptado de Pintarest.

    Os donos das calçadas ecológicas podem receber desconto do IPTU Verde no ano seguinte da construção, de acordo com o art. 3 da  Lei nº 5.507, de 17 de agosto de 2012.


    O que a JSBS faz?
    A JSBS promove a drenagem sustentável no lugar da drenagem convencional para prevenir e combater inundações e alagamentos; pesquisa, gera e distribui conhecimento; identifica fragilidades, estuda e propõe soluções com base no saber local e no conhecimento científico; faz campanhas para prevenir e combater inundações e alagamentos; entre outras medidas, defende a agrofloresta, hortas calçadas ecológicas e biovaletas como alternativas viáveis.

    Base legal
    Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007. Lei Federal do Saneamento Básico aborda o conjunto de serviços de abastecimento público de água potável; coleta, tratamento e disposição final adequada dos esgotos sanitários; drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, além da limpeza urbana e o manejo dos resíduos sólidos.

    Lei nº 12.862, de 17 de setembro de 2013. Altera a Lei nº 11.445/2007, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico, com o objetivo de incentivar a economia no consumo de água.

    Lei Complementar nº 111/2011. Institui Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Sustentável do Município do Rio de Janeiro. Art. 226. Trata da política de saneamento ambiental e serviços públicos de drenagem urbana.

    Decreto nº 23.940, de 30/01/2004. Torna obrigatório, nos casos previstos, a adoção de reservatórios que permitam o retardo do escoamento das águas pluviais para a rede de drenagem.

    Decreto nº 32.119, de 13/04/2010. Altera o decreto nº 23.940, de 30/01/2004, que dispõe sobre a obrigatoriedade de adoção de reservatórios que permitam o retardo do escoamento das águas pluviais para a rede de drenagem e dá outras providências.

    Decreto Estadual nº 42.029 de 15/06/2011 (publicado no DOE em 16/06/2011). Institui, no âmbito do PROHIDRO, o mecanismo de Pagamento por Serviços Ambientais a ser coordenado como um subprograma denominado PRO-PSA - Programa Estadual de Pagamento por Serviços Ambientais.


    Referências
    BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Cidades Sustentáveis - Controle de Inundações. Disponível em: http://www.mma.gov.br/perguntasfrequentes?catid=29

    CAMPOS, Luiza Cintra; CAMPOS, Raquel; MILOGRANA, Jussanã; e PARKINSON, Jonathan. Drenagem Urbana Sustentável no Brasil. Relatório do Workshop em Goiânia-GO. Escola de Engenharia Civil - Universidade Federal de Goiás, dia 7 de Maio 2003.


    FANTINATTI, Pedro; FERRÃO, André; e ZUFFO, Antonio (coord.). Indicadores de sustentabilidade em engenharia: como desenvolver. 1 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. 

    REZENDE, Osvaldo Moura. Manejo de águas pluviais uso de paisagens multifuncionais em drenagem urbana para controle das inundações. Trabalho de Conclusão apresentado ao curso de especialização em Engenharia Urbana da Universidade Federal do Rio e Janeiro. Rio de Janeiro: UERJ, 2010. Disponível em: http://www.peu.poli.ufrj.br/arquivos/Monografias/Osvaldo_Moura_Rezende.pdf

    PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO/SECRETARIA MUNICIPAL DE SANEAMENTO E RECURSOS HÍDRICOS FUNDAÇÃO INSTITUTO DAS ÁGUAS DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO- RIO ÁGUAS. Implementação das políticas de meio ambiente e de saneamento ambiental e serviços públicos. Disponível em:
    http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/5333332/4147688/42cDrenagemeEsgotoPlanoDiretorRioAguas102015.pdf

    PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO/ SECRETARIA MUNICIPAL DE SANEAMENTO E RECURSOS HÍDRICOS/ FUNDAÇÃO INSTITUTO DAS ÁGUAS. Plano Municipal de Saneamento Básico da Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, dez. 2015. Disponível em:http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4282910/4152311/PMSB_DRENAGEMEMANEJODEAGUASPLUVIAIS.pdf

    TUCCI, Carlos E. M. Drenagem urbana. Cienc. Cult.,  São Paulo,  v. 55,  n. 4, Dec.  2003 .   Available from <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252003000400020&lng=en&nrm=iso>. access on  22  Feb.  2017.